domingo, 6 de Maio de 2012

fui banida do facebook....desactivaram a minha conta....
não entendo porquê e também ninguém me explica. 
nunca usei palavras, imagens, ou filmes impróprios...
fiz uma inconfidência... disse que me sentia deprimida....será que não se pode estar deprimido no facebook? 
hoje respondi às pessoas que de uma forma simpática me acarinharam, e  falei com uma amiga pelo chat... depois disso... puuff... 
é muito estranho!!!
 

quarta-feira, 29 de Junho de 2011

hoje apetecia-me emigrar

hoje apetecia-me emigrar

e levar o menos possível

deixar-me cá e ir

e começar tudo de novo

o problema é que se calhar é por ser hoje

porque amanhã pode já não me apetecer

e a lógica, essa estúpida formula não funciona aqui

os sentidos empurram-me para longe e para perto

e por isso o que acontece é ficar no mesmo sitio

devia tentar ir só

para ver se é por ai

como por ai

se não sei por onde ir

para onde ir

porque é que está tudo tão identicamente parado?

tenho a impressão da perda de qualquer referencial

queda lenta dos tempos

pós-tudo

terça-feira, 7 de Junho de 2011

quinta-feira, 14 de Abril de 2011

dizem-me "a realidade está tão longe de ti" respondo "pudesse ter eu sitio para aterrar"
hoje sonhei que a extinta siderurgia nacional, que fica na outra margem explodia. eu estava do lado de cá, numa praia fluvial em que o cataclismo era recebido por uma onda brutal de tremor de terra e os peixes mortos junto à margem confundiam-se com os corpos dos humanos, olhei para trás e os prédios abanavam como varas verdes ao vento. corri pela praia com uma criança ao colo que não sei se era o tomás... sabia que algures numa casa ali perto, outros me esperavam e o pânico era se estariam vivos..... acordei.

segunda-feira, 7 de Março de 2011

Nem com a minha melhor mascara consigo disfarçar a vontade que tenho de virar isto ao contrario.

sábado, 5 de Março de 2011

sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

Amor e Morte

















Pudesse eu escrever-te um poema a cores.
Todo o meu coração é a preto e branco,
bem sabes, embora recuse fazer do desespero
um brinde aos dias comuns.

O meu desencanto prescinde dos bons empregos,
atrás de secretárias a martelar teclados.
A actualidade. No sangue corre-me o tempo
do cinema mudo. Não envio arranjos de mágoas

ao domicílio, nem adorno com laços de prata
e papel celofane os sorrisos que não tenho.
Também não anelo fumos e coisas assim.
Enoja-me o gosto da ruína pousado sobre as mãos,

como se a ruína fossem natas escorrendo no pudim.
A ruína não é coisa que se traga a tiracolo.
Não é broche. É mesmo ferida interna,
das que não coagulam nem com os poemas a cores.

Desconfio que a tristeza não seja o nosso maior problema.
O mesmo não direi das casas incendiadas,
do céu baleado, da gasolina que nos enxerta os rins.
Talvez conseguíssemos uma muralha de pétalas

se nos propuséssemos espinhos. Nem sempre 1+1 são 2.
Ambos sabemos isso e muito mais.
Desenhar-te-ei um botão de rosa no umbigo,
uma corola em cada mamilo, um pé de salsa nos lábios.

Só para cheirar, amor. Só para cheirar a morte.


Henrique Manuel Bento Fialho
, A Dança das Feridas, edição de autor, Colecção Insónia, 2010, p. 99.


Imagem do filme Anticristo” de Lars von Trier

sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

José e Pilar um filme de Miguel Gonçalves Mendes



No feriado,

Aproveitei um pouco de tempo, com alguém a quem o tempo lhe foi tirado.

Há pessoas por quem a vida não passa, não existem, sendo assim o tempo é-lhes inútil, porque simplesmente não precisam dele, e há outras, para quem o tempo não chega. Pode parecer injusto, mas o tempo quando se alarga por dentro escapa-se cronologicamente, numa directa relação contraria, mais por dentro menos fora.

O tempo acabou por ser muito mais do que o tempo do filme, foi algum tempo da vida de dois seres.

“José e Pilar”

Não acredito no amor, já o disse aqui antes, mas uma bela historia de amor comove-me até às lágrimas. Chorei, sim chorei discretamente na sala de cinema, ninguém deu pelo o meu choro, por dentro as lágrimas corriam quentes, senti-as escorregar pela garganta, com sabor a mar. O meu mar. O mar que não vejo há tanto tempo, aquele, batido e feroz, espumoso e branco, brumoso e cinzento esverdeado do Pedrogão.

“José e Pilar”

Também ri, ri com uma sonoridade fina, porque não sei rir de outra maneira. Ri com o prazer da presença, com a delícia de poder por pouco tempo entrar na vida daquelas pessoas que tanto me deram naquele momento. Não interessa se concordo ou não com o que pensam ou dizem, não interessa não mais, do que terem aberto a porta para eu entrar e viver com elas a sua vida. Gosto de viver a vida dos outros. Gosto de estar com eles de qualquer maneira. E estes outros, disseram-me coisas que me deixaram a pensar e fizeram-me sentir coisas que me deixaram a sentir.

“José e Pilar”

A doçura e ternura, encantaram-me, é bonito, lindo, quando dois seres se necessitam tanto, quando tudo parece fazer parte um do outro, quando o tempo lhes escapa escorregadio, mas penetrante. Faz sentido. E fazer sentido não é pouco, num tempo em que quase tudo parece não fazer sentido.

Talvez por ser um tempo sem sentido, existam ainda pessoas capazes de se separar do seu tempo e criarem um tempo próprio. Foi o que senti, não por se terem afastado da realidade do seu tempo, mas por terem uma enorme consciência dele e por isso não se terem deixado ir.

“José e Pilar”

Saber parar, parar o tempo, confina-lo a uma cápsula resistente de existência. E vivê-lo, sim digo vivê-lo, com toda força vital, mesmo quando se está preso por um ténue fio de vida.

Há pessoas que dão vida, outras que subtraem a vida. Isto poderá ser o mais importante nas relações entre pessoas.

Não sei explicar, nem tudo se explica, por vezes penso que pode estar relacionado com o nível de encontro, empatia. De não ser preciso, palavras, e ficar tudo contido em actos.

Pois, são nos gestos, olhares, respirares, sentires que se encontra a saída da vulgaridade dos dias. O problema é que tardam em acontecer. Em alguns casos nunca chegam. Porquê? Não sei...

Há um momento para as viragens, há um tempo para cada coisa. Apesar de não acreditar no destino.

Há um tempo para nunca acontecer.

“José e Pilar”

Um filme.

Mais do que isso.

Mais do que a vida.

É o mistério.

O mistério do tempo na vida.

Adorei. E vou recordar aquele momento até deixar de ter memória. Que também não vai ser difícil, porque me esqueço de tudo.

É cruel o fim. É cruel o esquecimento.




(desculpem os erros ortográficos ou outros... sou perita a errar.)

sábado, 23 de Outubro de 2010

sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

The Woman with the 5 Elephants - de Vadim Jendreyko



Voltar.

Estar a voltar.

Durante algum tempo, que já não sei precisar, debrucei-me intencionalmente para um fundo, no qual me retive na companhia de uma série de mortos/vivos entre eles, Fiódor Dostoiévski. De lá saiu um filme e uma espécie de análise.

Agora penso, como durante tanto tempo, e digo tempo, mas também palavras, pude ausentar-me do mundo dito real.

É difícil voltar. O mundo não é o mesmo - dizem-me.

Para trás fui perdendo não só o real mas também a realidade.

Quando se volta de qualquer lado, sente-se um misto de emoções, entre o saudoso desencanto e o saudoso desconhecido, parece que o chão que sempre pisamos está estranhamente diferente, quando de facto está igual.

Voltar à realidade dói, voltar aos vivos, aos ditos reais torna-se desconfortável e deslocado. Parecem mortos, repetitivos, desabitados de tempo e de palavras.

Porque é que tem ser assim? - perguntei um dia à mesa de jantar. Porque é que ninguém me avisou que era assim?

Cresci na ilusão de liberdade, que um dia não seria verdadeiramente de ninguém e que me amariam e cuidariam na mesma. Agora vejo, que a liberdade é só o nome de uma avenida linda, frondosa de árvores, loucos abandonados e livres. Hoje um deles pediu-me um cigarro, sorriu com aquele jeito de quem não está habituado a sorrir, era verdadeiramente de ninguém, o cigarro foi-lhe dado, ele seguiu como eu segui.

O filme antes marcou-me para sempre, a vivacidade vibrante numa mulher octogenária, enorme vida, cheia de palavras e de tempo. Um filme que revela um ser habitado por outros seres, mortos/vivos e vivos que já não puderam viver. Tradutora, antes, amante das palavras, dos sentidos e dos escritores russos.

Maravilhoso...

segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Berlin

Goethe, A Paixão do jovem Werther

"Que a vida do homem é apenas um sonho, é coisa que já ocorreu a muitos, e eu também arrasto comigo esta sensação. Quando vejo os limites que aprisionam as forças da acção da pesquisa no homem; quando vejo como toda actividade está orientada para conseguir a satisfação de necessidades que, por sua vez, não têm outro fim senão prolongar a nossa própria existência; quando verifico como ficamos tranquilos sobre certas questões a investigar, e de que isso não é mais do que uma resignação ilusória, pois andamos a pintar com desenhos coloridos e panoramas resplandecentes as paredes que nos mantêm presas - tudo isto, Wilhelm, tira-me a fala. Volto-me então para mim próprio e encontro todo um mundo! De novo mais por intuição e avidez obscura do que em representação ou força viva. Sinto então uma enorme insegurança e continuo, sorrindo, a andar pelo mundo como em sonhos."

Ophelia vs. Sara










ser-bomba

as cinzas
percorrem-me as veias
deixo-me invadir
fecho os olhos
paralelamente a mim segue o rastilho
toma o meu passo no seu destino
já nada pode esquecer

sábado, 2 de Outubro de 2010

quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

khuda-katabatic-8-outubro













katabatic
Conheço-lhe os sons e a amizade.
Nunca fui vê-los...será desta? já não prometo nada.
http://www.myspace.com/katabatic


terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Está a chover! que saudades...

Está a chover aqui na minha aldeia.
Fiquei tão feliz... o ar ficou repentinamente mais fresco e leve. Respirável.
Parece que o mundo ficou um pouco mais lavadinho, e a minha cabeça tonta aproveitou a leva e livrou-se de algumas "caraminholas" inúteis.
Agora plano sobre o rio cinzento e penso - que bom sentir este ventinho limpo, que me suaviza o ser.

domingo, 5 de Setembro de 2010

segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Ir numa espécie de paz...

mão morta - Anarquista duval

Pela estrada fora vinha um homem
Encoberto pelas sombras da noite
Alguém lhe perguntou o nome
Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição
Como o vento semeia as papoilas
O meu nome é... Liberdade
Vinha pela estrada fora a Liberdade
Encoberta pela noite das sombras
Sabes quem eu sou? perguntou ao candeeiro
És uma miragem E pertences ao livro dos sublinhados
provocadores
Que são os poetas
Almas sonhadoras Anarquista Duval:
Prendo-te em nome da lei?
Eu suprimo-te em nome da Liberdade!
Sublinhados provocadores, iam pela estrada fora
Carregando o livro das sombras
Da noite só restava o candeeiro
Encoberto

segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

mão morta no festival paredes de coura 2007

rumo Estremoz

muito trabalho por fazer muita casa por arrumar muito silêncio por engolir muita saudade por diluir muito cansaço por abandonar muita sede por fugir muito peso por sangrar muito seco por pisar muita terra por comer muito olho por cegar muita muito muito muita farta

domingo, 15 de Agosto de 2010

Agora que já tive uns dias de férias, preciso férias de mim. Alguém me sabe dizer como isso se faz?

sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

"Amazing Rogil"

quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase quase
de Férias.........a mesa já está posta à nossa espera :)

terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Sarah Kane

"E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar-te o pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao Florent beber café à meia-noite e tu roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus olhos dos teus lábios do teu pescoço do teu peito do teu rabo e sentar-me nos degraus a fumar até o teu vizinho chegar a casa e se sentar nos degraus a fumar até tu chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasada e ficar surpreendido quando chegas cedo e dar-te girassóis e ir à tua festa e dançar até ficar todo negro e pedir desculpa quando estou errado e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustado quando estás zangada e um dos teus olhos vermelho e outro azul e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és lindissíma e abraçar-te quando estás ansiosa e amparar-te quando estás magoada e querer-te quando te cheiro e ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para o teu peito e cobrir-te à noite e ficar frio quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando ris e não compreender por que é que pensas que eu te estou a deixar quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar em quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre o rapaz da floresta encantada de árvores anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar por que é que tu não acreditas em mim e ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras e querer comprar-te um gatinho do qual teria ciúmes porque teria mais atenção que eu e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar como um bebé quando finalmente vais e ver-me livre das baratas e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las de volta outra vez e pedir-te em casamento e tu dizeres não outra vez mas eu continuar a pedir-te porque embora tu penses que eu não estou a falar a sério eu estou mesmo a falar a sério desde a primeira vez que te pedi e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando não o devia fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesto porque sei que preferes assim e pensar que acabou tudo mas ficar agarrado a apenas mais dez minutos antes de me atirares para fora da tua vida e esquecer-me de quem sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira de alguma maneira de alguma maneira transmitir algum do / esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti."

sexta-feira, 30 de Julho de 2010

ZeroFilme#2

Queridos colaboradores do projecto ZeroFilme, tive que adiar a segunda edição do projecto por ainda não ter conseguido reunir as condições necessárias.

Espero que no final do mês de Agosto de 2010 fique tudo operacionalizado.

Estou a criar um site para facilitar a submissão dos filmes e concentrar toda a informação referente à mostra.

Até lá, tudo de bom.

Muito Obrigada

Sara Rocio

Dear participants of the Zero-Filme Project,

Unfortunately, and because I didn’t achieved the necessary conditions yet, I had to postpone the second edition of the project.

I hope that at the end of August 2010 everything will be operational.

I'm building a website to facilitate the upload of films and also to concentrate all the information regarding the show.

Until then, all good.

Thank you

Sara Rocio

quinta-feira, 22 de Julho de 2010

sem título

Estranhas Criaturas de HMBF














a sara já recebeu
a sara já leu
a sara não é crítica literária
adorou simplesmente :)

Estranhas Criaturas
de Henrique Manuel Bento Fialho
(aqui)

editora DERIVA
(aqui)

quinta-feira, 15 de Julho de 2010

sábado, 10 de Julho de 2010

sem título

Arcade Fire - Crown Of Love

MECO

rumo

Meco

as pontas de luz

o brilho eléctrico da cidade distante

ali frente a todo o mar

as corridas de crianças

o coaxar

o vento semi-bravio

hoje, porque o verão não quer

mas deixa

fico

em Pegões da casa e uma sopa de peixe

mais nada

pois tudo e só isto

é mais do que bastante

o sorriso

o olhar

o gesto perdido

penso

tento ler

Tolstói

Rumo

Volta

A um lugar que não será mais meu

nem de ninguém

Fabril,

febril o sangue

a memória

as ruas de sempre

aquele sim

e depois

o telefone

a conversa por você

a distancia

dos sentidos

não há braços

nem sopro fininho ao ouvido

só passos arrastados

dentro dos chinelos

surdos

não meus

que são leves

e não escondem

por serem desnudos

brancos e azuis

como o mar ao contrario.

domingo, 20 de Junho de 2010

José Saramago

João César Monteiro







Não-Dormir

Hoje, não há fundo.
Hoje, já não há Saramago Corpo, nem outros Homens Corpo.
Hoje, só há palavras que ficaram, livros que marcaram e conversas que se tiveram.
Mas o pior de tudo, são as palavras que nunca chegaram,
os sonhos que se quebraram ...
Então explode-se de nada.

Quando fores velha


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,

Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou a tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

W.B.Yeats Uma Antologia Assirio & Alvim

ás vezes apetecia-me que a vida fosse como no filme Branca de Neve de J. César Monteiro

Paixão#?

sábado, 5 de Junho de 2010

Céu limpo/afinal não

A alergia que me consumiu/consome nos últimos três dias está abrandar/chatear. Já consigo respirar sem/com grande esforço, o inchaço nos olhos diminuiu/sim, o nariz chafariz está mais calmo/não e a febre baixou/ainda não.
Vou voltar ao trabalho/ lentamente.
O tempo urge... mais um mês... e seria maravilhoso.
Plantadores de Palavras é o nome.

Reclamar alguma verdade...assemelha-se a loucura...paranóia...obsessão...porque a mentira é um lugar muito conveniente...que não deve ser mexido...

sexta-feira, 4 de Junho de 2010

"Tiananmen podia ser aqui no ano..."































Tinha 18 anos e já não acredita
va...na mudança, na justiça, na igualdade, no humanismo, na paz e no amor... Hoje, também não.
Fiz este cartaz para uma performance dos RóCóCó em 1989, quando ainda era uma aluna de química.






sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Talvez, Uma boa razão para ir ao Meco no dia 16 de Julho

"JAMIE LIDELL dele espera-se sempre o inesperado

O homem não está aqui para enganar ninguém. No seu álbum mais conhecido, “Multiply” (2005), cantava no tema-título “i’m so tired so tired so tired so tired of repeating myself, gotta take a trip and multiply”, dando-nos pistas sobre a sua personalidade inquieta. Por essa altura, quando o... entrevistámos, dizia-nos alegremente que “tinha tendência para uma certa esquizofrenia”, ou pelo menos para se “colocar em situações de extremos.” Nitidamente, Jamie Lidell é alguém que gosta de gestos largos. Gosta de se pôr em causa. Faz o que lhe apetece.

Já foi maníaco dos computadores em alguns discos. Mas também cantor soul, daqueles que acorda a cantar Marvin Gaye pela manhã e acaba a ser ele próprio, à noite, num palco qualquer. No novo álbum “Compass” não se percebe exactamente o que quer ser. Dizemos nós, que em algumas canções vislumbramos um Tom Waits psicadélico, noutras um Otis Redding tecnológico e noutras um Prince baladeiro como se fosse triturado pelos Grizzly Bear. É o seu disco mais disperso, não existe propriamente um centro, uma ideia nuclear, mas ele parece convicto das suas razões.

“É o meu álbum mais pessoal, tanto a nível lírico como da música”, diz, argumentando que necessitava de deslocar da cidade onde criou os anteriores álbuns – Berlim – e do grupo de cúmplices com quem regularmente colabora, em especial Mocky. É que os dois últimos álbuns (“Multiply” e “Jim”, de 2008) haviam sido criados em regime de parceria com o cantor e músico canadiano. Desta feita existe também um naipe de colaboradores de respeito. Mas o processo foi completamente diferente. O ano passado o inglês mudou-se para Nova Iorque. Uma modificação que nada teve a ver com música, embora reconheça que a cena tecno minimal, à qual a capital alemã é associada, o foi aborrecendo progressivamente (“tornou-se demasiado previsível e falta-lhe o funk”).

Hoje está mais atento ao que se passa em Brooklyn. “Nova Iorque é uma cidade incrível, mais humana, calorosa e colaborativa do que estava à espera”, afirma. O ano passado recebeu um telefonema de Beck, com quem tinha andado em digressão em 2006, perguntando-lhe se queria encetar uma colaboração com ele. “Foi um telefonema decisivo, porque não sabia o que fazer naquela altura e o que aconteceu acabou por precipitar uma série de acontecimentos”, revela. Lidell esteve em estúdio com Beck dois dias e, posteriormente, viria a participar no projecto deste denominado Record Club, que não é mais do que uma forma do músico americano reunir uma série de conhecidos em estúdio para criarem versões de um determinado álbum.

Lidell participou na feitura de versões de “Oar” de Skip Spence. Foi aí que conheceu James Gadson, lendário baterista que tocou com Marvin Gaye ou Bill Withers.
“Depois da primeira sessão com Beck, desapareci durante um mês, tinha a cabeça a latejar, tinha conhecido James Gadson, um tipo incrível, caloroso, e só pensava em fazer música” diz. Incentivado por Beck, e entusiasmado com o clima das gravações, acabaram por reunir-se todos em estúdio, na companhia da cantora Feist e de Pat Sansone dos Wilco, desta feita tendo por finalidade ajudar Lidell no seu novo álbum.

“De repente tinha aquela gente toda a trabalhar para mim, Beck a dar-me força, foi fantástico. E quando não foi possível completar algumas ideias, desenvolvemo-las mais tarde, através de email, como aconteceu com Pat Sansone ou Gonzales.” Outra ajuda importante foi a de Chris Taylor, líder dos Grizzly Bear. “Durante uma série de tempo andava obcecado com o álbum ‘Veckatimes’, tudo aquilo me parecia complexo e sofisticado”, afirma, “depois pude confrontar-me com a forma simples e despreocupada como Chris trabalha. Parece fazer pouco, mas obtém muitos resultados e foi também importante.”


Apesar das muitas colaborações, insiste em como este é o seu disco mais pessoal. Aquele em que não se esconde. A razão, diz, é uma mulher. O título de algumas canções (“Completely exposed”, “she needs me” ou “Your sweet boom”) é significativo. “Fartei-me de falar de mim, a partir de temáticas genéricas que supostamente podem interessar à maioria. Neste disco optei por me olhar ao espelho de forma diferente e gostei.”
As aventuras de Lidell iniciaram-se quando deixou a casa dos pais, em Cambridge, para iniciar um curso de ciência médica na Universidade de Bristol.

Depois de uma interrupção de seis meses, devido a doença, mudou para filosofia, em parte porque, pelo menos na sua fantasia, implicava menos horas de estudo.
O universo da música não lhe era estranho. A mãe era cantora profissional numa orquestra. Em casa ouvia Michael Jackson e Prince, mas na década de 90 gostava era de festas de música tecno. Cantar, só no chuveiro. Mas na segunda metade dos anos 90 acabou por conhecer o produtor Christian Vogel, com quem inicia os Super Collider, um projecto que lhe permitiu subir ao palco e cantar em falsete. Em simultâneo editou trabalhos a solo de electrónica abstracta em editoras como a Mille Plateaux.

Em 2000, saturado de Inglaterra, muda-se para Berlim, onde acaba por conectar-se com outros emigrantes conhecidos, como Mocky, Peaches, Taylor Savy, Gonzales ou Kevin Blechdom.
Na capital alemã reencontrou-se. Aos poucos o maníaco dos computadores foi percebendo que aquilo que lhe dava realmente prazer não era esconder-se por detrás da parafernália digital, mas sim pegar no microfone e cantar diante de audiências. “Sempre gostei de experimentar os limites da tecnologia, mas ao mesmo tempo de grandes cantores soul, da energia da voz.”
O anterior álbum, “Jim”, parece ter funcionado como a depuração máxima desse percurso. Era o disco de alguém que já não estava interessado em iludir influências clássicas da soul e do funk, mas sim de as assumir e incorporar, não para se fazer passar por outros, mas para transmitir o prazer que lhe ia na alma em ser ele próprio.

Muitos dos que cresceram habituados a vê-lo como um homem das electrónicas torceram o nariz. “Não me preocupa”, diz, “não penso nisso, até porque o espírito aventureiro original da electrónica já não é a mesma coisa.”
O novo álbum dir-se-ia uma súmula de várias fases, mistura de cerebralidade electrónica, sangue soul e fisicalidade funk, mas sempre a partir de ângulos inusitados. Se “Jim” parecia um álbum de fim de ciclo, “Compass” soa a disco em trânsito, à procura de um novo lugar. Para já, esse lugar são os palcos.
No Verão, apresenta-se ao vivo em Portugal. Será a 16 de Julho, no Meco, no Festival Super Bock Super Rock. Quem já o viu ao vivo, sozinho, sabe do que é capaz, improvisando com a tecnologia, fazendo sons percussivos com a voz, reproduzindo-os e alterando-os electronicamente em tempo real. Mas desta feita virá acompanhado por três músicos.

“É um tipo de formação que me dá outro tipo de liberdade” diz. “Dá-me espaço para me concentrar na voz e há mais cumplicidade em palco”, afirma, concluindo que “a surpresa e o inesperado são muito importantes.” Até aí já todos tínhamos chegado. "
Vitor Balanciano in
PÚBLICO (Ípsilon)
21-5-2010


quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Paixão #6

" Criar não é deformar ou inventar pessoas e coisas. É estreitar entre pessoas e coisas que existem, e tal como existem, novas relações."

Robert Bresson

Paixão #5

Paixão #4




Vivaldi Stabat Mater by Andreas Scholl

sábado, 15 de Maio de 2010

Há um




























Há um hiato

Há um hiato, entre o por dentro e o por fora.

Intacto, inacessível, imóvel, inalterável na sua dimensão.

Existe...um hiato entre o que vivo... ou não viverei.. ou penso que vivi...

A proximidade... desampara-me...as alas...perco o sentido da zona segura no esquecimento daqueles....que se dizem...e estão sempre esquecidos...dos sentidos...de mim... do que me diz....

Ferem-me...não sabem....talvez inocentes do seu saber...ferem-me de não saber...de não sentir na sua inocência fria....e estúpida.

Inocência dos ignorantes dos sentidos e do amor...esquecem...mas eu não...esqueço aos pedaços...o resíduo fica...

Não queria...queria diferente...existentes, meigos, doces...presentes, verdadeiramente atentos...como numa noite de verão...quente e lenta...como numa valsa suave.

Um dia...o lamento não sustentará as suas magoas.... se as tiverem .....e as minhas...e tudo estará irremediavelmente perdido nos nossos escombros.


Fotos realizadas com a preciosa ajuda da minha querida Amiga Maria Miguel

Paixão #3

Paixão #2

Cântico Negro

"Vem por aqui"-dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí.

José Régio

Paixões #1

terça-feira, 6 de Abril de 2010

Londres #2...

A parte cómica desta viagem foi não ter acontecido.
Ficou a vontade de tentar mais tarde, quando os BIs não forem um empecilho, esquecidos e caducos na véspera.
Lindo!!!

terça-feira, 30 de Março de 2010

Atenção! Attention!



ZeroFilme#2

Chamada em Maio

Call in May

Llamada en mayo

Appel en Mai

Londres #1

A caminho reúno alguns filmes já feitos e faço balanço.
Concluo que não tenho feito nada.
Ou muito pouco.
Acabo um filme.......
Levo tanto tempo para acabar.
Como se adiasse sempre o fim.
Assusta-me o fim.
Tenho um problema com o fim, adoro o fim.

sexta-feira, 5 de Março de 2010

quinta-feira, 4 de Março de 2010

sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Frescura

Hoje há solinho... como dizia o Tomás em pequeno.
E era assim que me olhava.
E nesse olhar que trocávamos dizíamos o universo, e todas as estrelas, planetas, animais, plantas, planícies, montanhas, ar, mar, terra.
É ainda assim!
Profundo e doce...

Diário do filme (a um pouco mais de meio) #1

Depois do rescaldo dos desencontros e encontros, das chuvadas e tremor.
Descanso.
Posso dizer, acho que posso dizer, que me surpreendi com o resultado.
Adoro fazer isto. Adoro perder-me em pensamentos flutuantes e esquecer a vida de todos os dias, aquela vida, de rotinas e trabalho, para puder pagar a liberdade, a pouca liberdade que me resta.
Entregar o meu bem querer ao acto de deixar de ser, e passar a não ser mais verdadeiramente. Estar à frente da câmara com a visão de estar por trás e ao contrario.
Obrigada a alguns, aqueles que me ajudaram, e aos outros, que acreditam em mim e nas minhas mentiras.
Descanso... mas não por muito tempo.
O tempo agora, mais do que tudo real e precário empurra-me para o fim.
Acabei a cena 3 e 4 sem os exteriores. O tempo não ajudou, o tempo do tempo. Mas não faz mal, respiro e sigo. É melhor assim.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Tiago Sousa

Sábado : 22h... : Tiago Sousa : Cine-Clube : Barreiro


Foi um concerto muito belo....

Não sei se saberei verbaliza-lo em toda a sua dimensão.

O Tiago Sousa toca o mistério...

O intimismo com que os sons se aproximaram e envolveram, foi gradual e delicado. Depois, precipitaram-se para o mais fundo de cada um e operaram um suave restauro. Elevaram-se os mais belos sentimentos e gestos...Sentiu-se os corpos a distender e a metamorfose deu-se.

Com ele o Ricardo Ribeiro, o seu clarinete espalha uma vibração inquieta e calma ao mesmo tempo, e o violoncelo de Joana Guedes, cola meticulosamente, na sombra dos seus gestos que se espalharam no tecto da sala, todos os sons.

Sublime!!!
Para a próxima quero filma-los.