sábado, 10 de julho de 2010

MECO

rumo

Meco

as pontas de luz

o brilho eléctrico da cidade distante

ali frente a todo o mar

as corridas de crianças

o coaxar

o vento semi-bravio

hoje, porque o verão não quer

mas deixa

fico

em Pegões da casa e uma sopa de peixe

mais nada

pois tudo e só isto

é mais do que bastante

o sorriso

o olhar

o gesto perdido

penso

tento ler

Tolstói

Rumo

Volta

A um lugar que não será mais meu

nem de ninguém

Fabril,

febril o sangue

a memória

as ruas de sempre

aquele sim

e depois

o telefone

a conversa por você

a distancia

dos sentidos

não há braços

nem sopro fininho ao ouvido

só passos arrastados

dentro dos chinelos

surdos

não meus

que são leves

e não escondem

por serem desnudos

brancos e azuis

como o mar ao contrario.

8 comentários:

Digo Perigo disse...

Costa de Caparica
vestida de orgulho
e de destroços
que se espraiam pelos pés
destino evidente
para mim
que quero deitar-me ao mar
não por total desespero
mas porque quero esquecer
as nuvens cinzentas que teimam aparecer
na transparência de um céu
na transparência de um ser

sara rocio disse...

podia ser só um rio
mas há um mar
profundo e doce

não temas
as nuvens são belas e condensadas
gigantescos armários de dependurados
desfazem-se ao assobio

podia ser só uma flor
mas há a terra
forte que a ata

não caias
o azul tem vertigem
sobre o grão
e os passos apagam-se sem pesar

podia ser uma garça
pé no alto, pé no lodo
fragmentado de vidrinhos luminosos

Digo Perigo disse...

Se elas são belas
venham todos os desesperos
toda a incompreensão
todo egoísmo mascarado de amor

já de armário terão parecenças
pois delas sinto o peso
que me cai massivo
justo onde antes havia uma flor

e se a ti é fácil como um assobio
já eu preciso de um machado
e de um sacho
porque de cada vez tenho que
revolver a terra
e procurar de novo a semente
para plantar uma pequena fé

sara rocio disse...

enfraquecem-se as arestas laminadas
pela dura repetição dos actos
já não há onde pousar o egoísmo
o resto vai secando lentamente pela desorientação do amor
onde estás quando espreito pelas frestas?
para onde desagua o teu olhar, o teu bem quer?
já fogem entre as mão finas todo o sabor
porque respondes publicamente quando escondes no privado?
o ser transparente dilui-se à beira de ti
é engolido pela brutalidade da terra
o que esperas?

Digo Perigo disse...

Não entendo...
afinal devia ser tudo poesia
mas em vez de palavras pétala
tombei na realidade

migalha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
migalha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
migalha disse...

migalha disse...
desgarrada poética?
esgrima de palavras?
seja o que for e
porque foi
é bonito de se ler.