sábado, 23 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The Woman with the 5 Elephants - de Vadim Jendreyko



Voltar.

Estar a voltar.

Durante algum tempo, que já não sei precisar, debrucei-me intencionalmente para um fundo, no qual me retive na companhia de uma série de mortos/vivos entre eles, Fiódor Dostoiévski. De lá saiu um filme e uma espécie de análise.

Agora penso, como durante tanto tempo, e digo tempo, mas também palavras, pude ausentar-me do mundo dito real.

É difícil voltar. O mundo não é o mesmo - dizem-me.

Para trás fui perdendo não só o real mas também a realidade.

Quando se volta de qualquer lado, sente-se um misto de emoções, entre o saudoso desencanto e o saudoso desconhecido, parece que o chão que sempre pisamos está estranhamente diferente, quando de facto está igual.

Voltar à realidade dói, voltar aos vivos, aos ditos reais torna-se desconfortável e deslocado. Parecem mortos, repetitivos, desabitados de tempo e de palavras.

Porque é que tem ser assim? - perguntei um dia à mesa de jantar. Porque é que ninguém me avisou que era assim?

Cresci na ilusão de liberdade, que um dia não seria verdadeiramente de ninguém e que me amariam e cuidariam na mesma. Agora vejo, que a liberdade é só o nome de uma avenida linda, frondosa de árvores, loucos abandonados e livres. Hoje um deles pediu-me um cigarro, sorriu com aquele jeito de quem não está habituado a sorrir, era verdadeiramente de ninguém, o cigarro foi-lhe dado, ele seguiu como eu segui.

O filme antes marcou-me para sempre, a vivacidade vibrante numa mulher octogenária, enorme vida, cheia de palavras e de tempo. Um filme que revela um ser habitado por outros seres, mortos/vivos e vivos que já não puderam viver. Tradutora, antes, amante das palavras, dos sentidos e dos escritores russos.

Maravilhoso...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Berlin

Goethe, A Paixão do jovem Werther

"Que a vida do homem é apenas um sonho, é coisa que já ocorreu a muitos, e eu também arrasto comigo esta sensação. Quando vejo os limites que aprisionam as forças da acção da pesquisa no homem; quando vejo como toda actividade está orientada para conseguir a satisfação de necessidades que, por sua vez, não têm outro fim senão prolongar a nossa própria existência; quando verifico como ficamos tranquilos sobre certas questões a investigar, e de que isso não é mais do que uma resignação ilusória, pois andamos a pintar com desenhos coloridos e panoramas resplandecentes as paredes que nos mantêm presas - tudo isto, Wilhelm, tira-me a fala. Volto-me então para mim próprio e encontro todo um mundo! De novo mais por intuição e avidez obscura do que em representação ou força viva. Sinto então uma enorme insegurança e continuo, sorrindo, a andar pelo mundo como em sonhos."

Ophelia vs. Sara










ser-bomba

as cinzas
percorrem-me as veias
deixo-me invadir
fecho os olhos
paralelamente a mim segue o rastilho
toma o meu passo no seu destino
já nada pode esquecer

sábado, 2 de outubro de 2010